terça-feira, 24 de abril de 2018

COMPORTAMENTO E RESPEITO




15Mai 12
  
Se foi o tempo em que o comportamento dos alunos nas escolas era baseado no respeito aos professores, na boa educação gerada na família, na vivência estudantil solidária, entre os mais capacitados e aqueles que apresentam dificuldades.
Por outro lado as escolas entraram na onda de competição que assola os mercados e priorizam a atenção aqueles que tem mais facilidade e que não exigem tanto dos professores. Assim tudo fica mais fácil, porque os professores também estão na competição da vida e muito poucos se sensibilizam com as dificuldades que os alunos apresentam.
No passado o professor ou professora era o detentor do conhecimento e tinha a missão de ensinar, mas também sabia que sua missão era muito mais do que simplesmente repassar conteúdos. Ele ouvia os alunos e reservava um horário para conversar reservadamente com eles, mostrando os pontos em que eles precisam melhorar, sempre com muita atenção, disciplina e afeto.
Nos dias de hoje, ninguém mais tem tempo. A pressa, a correria, a impaciência dominam, porque também os professores sofrem as conseqüências deste mundo alucinado em que vivemos. Ninguém tem tempo para parar e tentar ajudar um aluno que esteja com problemas. Cada um que se vire como puder. Se não entendeu a aula que estude com professores particulares ou sozinho como se todos tivessem que ser gênios.
Esquecem que cada indivíduo tem o seu tempo e suas dificuldades. Isto precisa ser compreendido. Os pais querem que seus filhos tenham boa formação e que sejam saudáveis e felizes. A pressão vem de todos os lados. A conseqüência de tanta pressão é uma reação dos jovens, que por natureza estão na fase da rebeldia, apresentando comportamentos que não são aceitáveis.
Muitas escolas e professores trabalham com o objetivo de fazer passar no vestibular. Com isto os jovens não tem tempo para viver e desfrutar a sua juventude, porque precisam provar que são os melhores para ingressar na faculdade. Muitos se perdem neste caminho, causando sofrimento aos pais e a eles próprios , pois passam a se sentir incapazes.A pergunta que precisa de resposta é a seguinte:
O que querem os jovens?
A resposta é simples. Os jovens querem estudar mas querem viver, querem ser aceitos, amados e compreendidos e felizes. Querem viver dentro de suas potencialidades, vencendo suas dificuldades com o auxilio , dos pais, dos professores e das escolas. Poucos querem ser gênios. Isto precisa ser respeitado para não despertar neles desânimo, impotência e revolta, alterando seus comportamentos na vida e principalmente nas escolas.
Os pais, por sua vez, querem ver seus filhos felizes e realizados na vida, com boa formação que lhes possibilite enfrentar os desafios do futuro, mas sabem que vencer nos estudos e no trabalho não é garantia de paz interior, de motivação para realizar atividades e principalmente alegria de viver.
Infelizmente o que estamos vendo são muitas pessoas e jovens infelizes, porque não tem tempo para viver plenamente. Muitas escolas sobrecarregam os alunos com trabalhos e temas, ocupando praticamente todo o tempo deles. Esquecem que é preciso ter outras atividades, como esportes, lazer e tempo livre para sentir o prazer que a juventude proporciona. Até mesmo uma visita ao médico pode atrapalhar uma tarde em função do tempo que leva um atendimento.
Tudo isso gera estresse, porque se não fizer um tema os pais recebem comunicado da escola alertando de que não estão acompanhando seus filhos.Os pais sobrecarregados com tantos compromissos reclamam e cobram, muitas vezes com pouca paciência, gerando conflitos e intranqüilidade familiar.
Com isto os consultórios médicos e psicológicos estão repletos de pais e alunos querendo encontrar uma caminho mais harmonioso para conquistar o que desejam. Para isso precisam, também, de mais tranqüilidade e compreensão.
Refletir sobre isso é a palavra de ordem. Parece que ninguém está bem. De um lado as escolas buscando mostrar a sua eficácia. Do outro professores que precisam ser valorizados e compreendidos para também poderem compreender melhor os alunos. E finalmente muitos pais angustiados por não encontrarem nas escolas e nos professores a compreensão necessária para entenderem os limites de seus filhos.
Todos precisam rever suas posições e acreditar no entendimento e no amor.

RELAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA




Família e escola: Quais são os papéis?
·         Atualizado em [ 26/06/2013 ] [ 17:01 ] [ 14/09/2012 ] [ 17:35 ]

Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo
Conceituar o papel de cada uma destas instituições importantes da sociedade, família e escola, eu diria que é quase impossível. Tornaram-se hoje grandes fontes de problemas. A família perdeu seu núcleo pai-mãe-filho, tornando-se um amontoado de pessoas vivendo sob o mesmo teto ou até em tetos diferentes, tentando educar o filho com suas visões de mundo, para assim encaminhá-los à escola.
Por outro lado, a escola inconformada com o que tem recebido das famílias se põe no papel de responsável em educar e ensinar o pedagógico e, em inúmeras vezes, perde seu principal foco: a formação pedagógica desse indivíduo.
A inversão dos papéis da escola e da família junto à sociedade é muito nítida, por exemplo, antes de um processo alfabetizador, a escola precisa integrar esse aluno, advindo de uma família que o criou até então como centro do universo. Essa não deveria ser apenas responsabilidade da escola, devendo ter sido trabalhada pela família.
Perde-se muito tempo dando possibilidade para que essa criança entenda que precisa se colocar no lugar do outro, que respeite seus colegas como deseja ser respeitado, tarefa simples que deveria ter sido feita pela família. O papel educador é responsabilidade da família, para que o papel pedagógico possa ser exercido pela escola com boa qualidade.
O caminho e a parceria entre família e escola é fundamental. Ambas precisam se acolher, se entender e se ajudar para o bem comum desse indivíduo, preparado como pessoa para viver em sociedade. Porém, sempre cabe à família educar e estar alerta, pois o contrato com a escola pode ser rescindido, mas o contrato de pai, mãe e filho é para a vida toda. Portanto, é muito importante exercer os papéis com sabedoria e responsabilidade de todos.
>> Esther Cristina Pereira, Diretora de Ensino Fundamental do Sinepe/PR(Sindicato das Escolas Particulares do Paraná)
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Stockphotos/ katagaci


quarta-feira, 11 de abril de 2018

APRENDIZAGEM NO BRINCAR



Como acontece o processo de aprendizagem no brincar?


Como acontece o processo de aprendizagem no brincar? Segundo Piaget, Vygotsky, Montessori, Froebel, Dewey.

Como acontece o processo de aprendizagem no brincar?

As várias experiências (Brincadeiras) que as crianças de 0 a 6 anos de idade vivenciam, são fundamentais na formação e na construção do caráter social e emocional das mesmas, além de ser de suma importância no fortalecimento de estímulos ligados as habilidades motoras, expressivas e as fases construtivistas, sócio construtivistas, cognitivistas e progressivas (Piaget, Vygotsky, Montessori, Froebel, Dewey). É mais que um fato, é cientificamente comprovado que o que se aprende nesta fase pode deixar marcas para o resto da vida, não só na criança mais em se tratando de socialização e convivência, podemos afirmar que a mesma terá responsabilidade no processo de transformação social, seja familiar, seja comunitário ou educacional.
Todos os teóricos educacionais, sejam da pedagogia ou de outras áreas como a psicologia, são unânimes em concordar que o processo de brincar é onde ocorre maior possibilidade de aprendizagem seja formal ou informal.
Piaget
De acordo com Piaget o conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado desde o nascimento, nem como simples registro de percepções e informações. O conhecimento é consequência das ações e das interações do sujeito com o objeto de conhecimento, seja do mundo físico ou da cultura. É uma construção que vai sendo elaborada desde a infância, que se classificam em fases e que são necessárias para o desenvolvimento e aprendizado da criança.
Para a criança a brincadeira é uma forma de exercitar a sua imaginação, se relacionando de acordo com seu interesse e suas necessidades junto a realidade de um mundo que pouco conhecem. Através das brincadeiras a criança reflete, organiza, constrói, destrói, e reconstrói seu universo. A brincadeira mostra como a criança reflete, organiza, desorganiza, constrói e reconstrói o próprio mundo. Mesmo sem entender devemos respeitar, por que o brincar da criança é a sua linguagem secreta.
Para Piaget o jogo não é apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energias das crianças, mais meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. Através dos jogos a criança desenvolve sensório motor e o simbolismo, transforma o real em necessidades múltiplas do eu, assimila a realidade.
Vygotsky
Para Vygotsky O brincar, tão característico da infância, traz inúmeras vantagens para a constituição da criança, proporcionando a capacitação de uma série de experiências que irão contribuir para o desenvolvimento futuro da mesma. Vygotsky buscou compreender a origem e o desenvolvimento dos processos psicológicos ao longo da história da espécie humana, levando sempre em conta a individualidade de cada sujeito, o qual está imerso no meio cultural que o define. Para ele, o homem constitui-se enquanto ser social e necessita do outro para desenvolver-se. Vygotsky, ao longo de sua obra, discute aspectos da infância, destacando-se suas contribuições acerca do papel que o brinquedo desempenha, fazendo referência a sua capacidade de estruturar o funcionamento psíquico da criança.
Para Vygotsky, o brincar está intimamente ligado ao processo de aprendizagem. Brincar é aprender; na brincadeira, reside a base daquilo que, mais tarde, permitirá à criança aprendizagens mais elaboradas. O lúdico torna-se, assim, uma proposta educacional para o enfrentamento das dificuldades no processo ensino-aprendizagem.
Segundo Vygostsky (1998), para entendermos o desenvolvimento da criança, é necessário levar em conta as necessidades dela e os incentivos que são eficazes para colocá-las em ação. O seu avanço está ligado a uma mudança nas motivações e incentivos, por exemplo: aquilo que é de interesse para um bebê não o é para uma criança um pouco maior. A criança satisfaz certas necessidades no brinquedo, mas essas necessidades vão evoluindo no decorrer do desenvolvimento. Assim, como as necessidades das crianças vão mudando, é fundamental conhecê-las para compreender a singularidade do brinquedo como uma forma de atividade
Conforme Vygotsky (1998, p. 126), “é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não pelo dos incentivos fornecidos pelos objetos externos”. A criança se torna menos dependente da sua percepção e da situação que a afeta de imediato, passando a dirigir seu comportamento também por meio do significado dessa situação: “a criança vê um objeto, mas age de maneira diferente em relação àquilo que vê. Assim, é alcançada uma condição em que a criança começa a agir independentemente daquilo que vê” (VYGOTSKY, 1998, p. 127). No brincar, a criança consegue separar pensamento (significado de uma palavra) de objetos, e a ação surge das ideias, não das coisas. Por exemplo: um pedaço de madeira torna-se um boneco. Isso representa uma grande evolução na maturidade da criança.
Vygotsky propõem então que a criança se relaciona com o significado em questão, com a ideia, e não com o objeto concreto que está ao seu alcance. O brinquedo fornece, assim, uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e as suas ações com significados. Fator importante, como já discutido anteriormente, para o desenvolvimento da criança. Essa separação do significado do objeto se dá de maneira espontânea: a criança não percebe que atingiu esse desenvolvimento mental. Dessa forma, por meio do brinquedo, a criança começa a compreender a definição funcional de conceitos ou de objetos, e as palavras passam a se tornar parte de algo concreto. Vygotsky (1998) fala ainda que a criança experimenta a subordinação às regras ao renunciar a algo que deseja, e é essa renúncia de agir sob impulsos imediatos que mediará o alcance do prazer e das responsabilidades na brincadeira.
Friedrich Froebel (1782-1852)
Froebel ficou conhecido como o formador da criança pequena, viveu numa época de transição sobre a concepção da criança, e teve sua participação na área pedagógica quando abriu o seu primeiro jardim de infância, no qual dedicou sua vida a elaboração de métodos e equipamentos para tais instituições infantis. Preconizava a ideia de atividade e liberdade, inspirava-se no amor à criança e na natureza. Defendia o desenvolvimento da criança, como também as fases do crescimento, dizia que a infância é o período que a criança deve ser protegida pelos pais, pois ela é dependente (NICOLAU, 1987).
Froebel foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo, na atividade lúdica, já que era o primeiro recurso no caminho da aprendizagem, não apenas para diversão, mas para um modo de criar representações do mundo concreto com a finalidade de entendê-lo, também se preocupou em arquitetar recursos sistemáticos para as crianças se expressarem, tais como blocos de construção, papelão, papel, argila, serragem, entre outros materiais usados para estimular a aprendizagem dos pequeninos. “Assim, os jardins de infância frobelianos incluem jogos nos quais se permite às crianças uma livre exploração, oferecendo apenas o suporte material e jogos orientados nos quais há clara cobrança de conteúdos a adquirir” (KISCHIMOTO, 2007, p. 103).
Maria Montessori
Médica italiana, se tornou um dos principais nomes da história da educação moderna, se destacou pela criação da Casa dei Bambini ou casas de crianças. Seus ideais influenciaram o início da revolução educacional, que a partir de então começa a mudar a forma de tratamento e a compreensão das crianças pelos adultos e até o tipo de brinquedos que possuía em casa” (POLLARD, 1993, p.10).
Destacou-se por se dedicar a educação das crianças anormais, como também pelos seus materiais pedagógicos voltados para estimulação sensorial e intelectual.
Assim como Froebel, Montessori também acreditava na educação livre e natural da criança, de acordo com Pollard (1993) Montessori argumentava que as crianças sabiam mais do que ninguém como deviam ser ensinadas, e que a criança deveria ser estimulada a aprender ao ar livre.
O método montessoriano ficou conhecido e se espalhou no mundo todo, ela era convidada a ministrar palestras para formação de docentes. No seu país de origem esse método se tornou oficial nas escolas públicas, toda a Itália planejava suas escolas de acordo com essa técnica, Pollard (1993, p. 42) corrobora dizendo que “[…] Maria Montessori era cada vez mais convidada para dar palestras e abrir novas Casas das Crianças. Isso significava que mais gente treinada em seu método seria necessária para trabalhar.
Como mencionado, Montessori dedicou-se a educação das crianças deficientes, porém seu método se espalhou e foi trabalhado também com crianças normais, sua grande contribuição para educação infantil que se tem atualmente foi em relação à diversidade dos materiais pedagógicos e dos jogos educativos adequados à criança.
Os ideais desses educadores contribuíram para o movimento da escola nova na Europa, visto que foi um grande marco para educação dos pequeninos, em virtude de haver uma preocupação com a natureza psicológica da criança, como também com seu desenvolvimento. Na América o precursor desse movimento foi John Dewey, que concebia a infância como época de desenvolvimento e crescimento, que envolvesse o físico, o emocional e o intelectual.
J. Dewey (1978)
Para o pensador e filósofo norte-americano J. Dewey (1978), o mundo da criança é um mundo de interesses pessoais e de pessoas e não de leis e sistemas e brincar se constitui como um elemento essencial ao desenvolvimento saudável da criança. Através dele torna-se possível não só a sua interação com o meio em que se encontra inserida, como também a ativação do seu potencial criativo. O brincar pressupõe interação, bem como relação social, por isso, ele pode contribuir de modo significativo na formação de atitudes sociais durante o desenvolvimento infantil, tais como: respeito mútuo, solidariedade, cooperação, obediência às regras, senso de responsabilidade, iniciativa pessoal e grupal. É brincando que a criança desenvolve habilidades e competências cognitivas, emocionais, intelectuais e motoras.
Dewey defendia a ideia de que as crianças fixavam melhor os ensinamentos quando realizavam tarefas associadas ao conteúdo que fora ensinado. Foi assim que as atividades manuais e criativas ganharam espaço no currículo escolar e os alunos foram estimulados a experimentar e desenvolver seus próprios pensamentos. Desta forma, a democracia e liberdade de expressão ganharam peso, por permitirem o maior desenvolvimento dos indivíduos. Ele considerava a ambos como instrumentos essenciais para a manutenção emocional e intelectual das crianças.
O filósofo também defendia a educação progressiva, na qual o objetivo é educar a criança como um todo, visando seu crescimento físico, emocional e intelectual.

terça-feira, 3 de abril de 2018

EDUCAÇÃO - MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO




Disciplinas, carga horária e impacto no Enem: veja o que deve mudar com a base curricular do ensino médio
MEC entregou terceira versão da BNCC ao Conselho Nacional de Educação. Texto será avaliado em audiências, debate e será votado antes de entrar em vigor.

Por Marília Marques e Ana Carolina Moreno, G1 Brasília e São Paulo
03/04/2018 17h24. Atualizado há 1 hora

O ministro da Educação, Mendonça Filho (centro) entregou ao Conselho Nacional da Educação (CNE) a última versão da Base Nacional Comum Curricular do ensino médio (Foto: André Nery/MEC)
A última versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio foi entregue pelo Ministério da Educação ao Conselho Nacional de Educação (CNE) na tarde desta terça-feira (3).
Abaixo, veja as principais questões sobre a medida e, na sequência, o que já se sabe sobre seus impactos:
·                   Quando a BNCC do ensino médio vai sair do papel?
·                   O que ela tem a ver com a base aprovada em dezembro?
·                   Qual a ligação da BNCC com a reforma do ensino médio?
·                   Esta é a versão final da base para o ensino médio?
·                   A BNCC funciona como currículo para escolas?
·                   Existem disciplinas que deixarão de ser obrigatórias?
·                   Qual a carga horária prevista para o ensino médio?
·                   O Enem vai mudar?

Qual a relação com a BNCC já aprovada em dezembro?
Esta é a segunda etapa na definição das diretrizes de tudo o que deve ser obrigatoriamente ensinado nas escolas de todo Brasil: a primeira etapa foi concluída com a finalização da base específica para o ensino infantil e fundamental, que deve ser implementada até 2020.
Agora, a atual versão da BNCC do ensino médio vai passar por audiências e debates antes de o texto ser finalizado. Depois disso, ele será votado no Conselho Nacional de Educação (CNE) e homologado pelo ministério da Educação.

Quando a BNCC vai sair do papel?
Ainda não existe um prazo definido. Segundo Eduardo Deschamps, presidente do CNE, na próxima semana os conselheiros se reunirão para definir o cronograma.
A BNCC referente à educação infantil e ao ensino fundamental, que foi entregue ao CNE em abril de 2017, só foi aprovada oito meses depois, em dezembro. Agora, um comitê especial do MEC orienta a implementação da nova Base Curricular do ensino infantil e fundamental nas escolas até 2020.

O Enem vai mudar?
Sim, o MEC trabalha com a necessidade de futuras adequações no exame. Porém, segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, qualquer mudança no Enem só deve ocorrer a partir de 2020.
"O processo de adaptação do Enem, respeitando toda essa concepção estabelecida da Base Curricular do ensino médio, será gradual, e certamente só a partir de 2020 em diante", afirmou o ministro.

Qual a relação da BNCC com a reforma insituída via MP por Temer?
reforma foi um conjunto de novas diretrizes para o ensino médio implementadas via Medida Provisória. Elas foram apresentadas pelo governo federal em 22 de setembro de 2016. A reforma flexibilizou o conteúdo que será ensinado aos alunos, mudou a distribuição do conteúdo das 13 disciplinas tradicionais ao longo dos três anos do ciclo e deu novo peso ao ensino técnico.
Entretanto, para entrar de fato em vigor, a reforma precisa da BNCC para apontar a diretriz do que se espera que os alunos aprendam, para que, no passo seguinte, estados, municípios e a rede privada elaborem seus currículos.

Essa é a versão final da BNCC?
Não. A versão apresentada pelo MEC é a terceira desde o início do processo de elaboração, mas ainda não é final: ela ainda precisa ser analisada e votada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que já confirmou que realizará audiências pelo Brasil para ouvir as contribuições da sociedade. Porém, alterações e emendas podem ser feitas, mas a versão não pode ser completamente reelaborada.

A BNCC funciona como currículo para as escolas?
Não. A Base, segundo o próprio documento, é uma "referência nacional comum e obrigatória para a elaboração dos seus currículos e propostas pedagógicas". Ela não se trata do currículo escolar.
O currículo é definido em cada escola e as competências e habilidades previstas na BNCC devem preencher 60% da carga horária do ensino médio.

Há disciplinas que deixarão de ser obrigatórias no ensino médio?
A rigor, nenhuma. A BNCC prevê que apenas matemática e língua portuguesa sejam disciplinas obrigatórias nos três anos da etapa final da educação básica. A regra, porém, não é nova. Apesar de os adultos de hoje terem tido aulas de química, história, geografia, biologia e física em todos os anos do ensino médio (ou do antigo colegial), essas matérias nunca tiveram seu ensino obrigatório por lei. A prevalência dessas aulas é, em parte, explicada pelos conteúdos exigidos nos vestibulares.
A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) sempre manteve como obrigatórias, nos três anos do ensino médio, apenas língua portuguesa e matemática. Entre as demais disciplinas, as únicas que também já eram obrigatórias, mas não necessariamente em todos os anos, são artes, educação física, língua estrangeira e história e cultura afro-brasileira e indígena.
Com a divulgação da última versão da BNCC pelo Ministério da Educação, a novidade é que competências e habilidades das áreas de ciências humanas e da natureza também passam a ser oficialmente obrigatórias no ensino médio.
Apesar de as escolas não serem obrigadas a oferecer essas disciplinas em todos os três anos, elas podem fazê-lo, desde que cumpram os requisitos obrigatórios, como a aplicação dos conteúdos da BNCC na carga horária mínima exigida.

Qual a carga horária prevista pela BNCC?
O documento prevê que as três mil horas do ensino médio sejam divididas em duas partes: 1.800 horas para os conteúdos das quatro áreas do conhecimento (linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza), e 1.200 para os itinerários formativos, onde cada escola poderá se aprofundar em uma ou mais áreas.
"Itinerários formativos serão desenvolvidos pelos estados e escolas. O MEC não fará a definição de itinerários, mas sim, um guia de orientação para apoiar estados e municípios", afirmou Maria Helena Guimarães de Castro, secretária executiva do MEC.

Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio (Foto: Reprodução)


sábado, 31 de março de 2018

EDUCAÇÃO



Os 10 erros de português mais cometidos pelos brasileiros
Equipe de linguistas revela equívocos mais comuns em aplicativo de idiomas que ensina português também para nativos.

Por BBC
31/03/2018 13h43  Atualizado há 2 horas

'Abismo entre o que falamos e escrevemos' pode estar na raiz de muitos erros de português, diz linguista (Foto: Mediamodifier/Pixabay)

"Vi no Facebook uma mulher dizendo que casaria com o primeiro homem que soubesse usar crase, mas não são só os homens que não sabem usar. As mulheres também!", alerta a linguista Camila Rocha Irmer, uma das encarregadas de avaliar os erros de português no Babbel, um dos maiores aplicativos de ensino de idiomas no mundo.
Ela se refere a um dos erros mais comuns entre falantes de português brasileiro - quando usar a crase? -, juntamente com as dúvidas sobre os "por ques" e outras.
"É algo difícil de explicar. Acho que esses erros acontecem porque há um abismo entre o que escrevemos e o que falamos", diz à BBC Brasil.
"Quem não lida com a escrita diariamente não se lembra das regras. E, mesmo que as pessoas estejam dando mais opiniões nas redes sociais, é uma escrita rápida. Você não tem muito tempo para pensar sobre como escrever."
Há os "erros de sempre", mas Irmer afirma que existem também as questões que aumentam ou diminuem a cada ano. Em 2017, por exemplo, a dúvida sobre quando usar "há" e "a" apareceu mais vezes no aplicativo do que no ano anterior.
"Agora, estamos alcançando um público de menor escolaridade que não quer só aprender idiomas estrangeiros, mas tem problemas com português mesmo. E recebemos muitos recados, pelo aplicativo, de pessoas que estão aprendendo português ao estudar outra língua."
A pedido da BBC Brasil, a equipe de linguistas e educadores do Babbel fez um levantamento dos erros mais recorrentes entre os falantes de língua portuguesa no ano de 2017. Veja a lista:
1. "Entre eu e você"
O correto, segundo os especialistas, é usar "entre mim e você" ou "entre mim e ti". Depois de preposição, deve-se usar "mim" ou "ti".
Por exemplo: Entre mim e você não há segredos.
2. "Mal" ou "mau"
"Mal" é o oposto de "bem", enquanto que "mau" é o contrário de "bom". Na dúvida sobre qual usar? Os especialistas recomendam substituir o advérbio pelo seu oposto na frase e ver qual faz mais sentido.
Por exemplo: Ela acordou de bom humor; Ela acordou de mau humor.
3. "Há ou "a"
"Há", do verbo haver, indica passado e pode ser substituído por "faz".
Por exemplo: Nos conhecemos há dez anos; Nos conhecemos faz dez anos.
Mas o "a" faz referência à distância ou a um momento no futuro.
Por exemplo: O hospital mais próximo fica a 15 quilômetros; As eleições presidenciais acontecerão daqui a alguns meses.
4. "Há muitos anos", "muitos anos atrás" ou "há muitos anos atrás"
Usar "Há" e "atrás" na mesma frase é uma redundância, já que ambas indicam passado. O correto é usar um ou outro.
Por exemplo: A erosão da encosta começou há muito tempo; O romance começou muito tempo atrás.
Sim, isso quer dizer que a música Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, está incorreta.
5. "Tem" ou "têm"
Tanto "tem" como "têm" fazem parte da conjugação do verbo "ter" no presente. Mas o primeiro é usado no singular, e o segundo no plural.
Por exemplo: Você tem medo de mudança; Eles têm medo de mudança.
6. "Para mim" ou "para eu"
Os dois podem estar certos, mas, se você vai continuar a frase com um verbo, deve usar "para eu".
Por exemplo: Mariana trouxe bolo para mim; Caio pediu para eu curtir as fotos dele.
7. "Impresso" ou "imprimido"
A regra é simples: com os verbos "ser" e "estar", use "impresso".
Por exemplo: Camisetas com o slogan do grupo foram impressas para a manifestação.
Mas com os verbos "ter" e "haver", pode usar "imprimido".
Por exemplo: Só quando cheguei ao trabalho percebi que tinha imprimido o documento errado.
8. "Vir", "Ver" e "Vier"
A conjugação desses verbos pode causar confusão em algumas situações, como por exemplo no futuro do subjuntivo. O correto é, por exemplo, "quando você o vir", e não "quando você o ver".
Já no caso do verbo "ir", a conjugação correta deste tempo verbal é "quando eu vier", e não "quando eu vir".
9. "Aquele" com ou sem crase
Em vez de escrever "a aquele", "a aqueles", "a aquela", "a aquelas" e "a aquilo", use "àquele", "àqueles", "àquela", "àquelas" e "àquilo".
Por exemplo: Maíra deu o número de telefone dela àquele rapaz
10. "Ao invés de" ou "em vez de"
"Ao invés de" significa "ao contrário" e deve ser usado apenas para expressar oposição.
Por exemplo: Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.
Já "em vez de" tem um significado mais abrangente e é usado principalmente como a expressão "no lugar de". Mas ele também pode ser usado para exprimir oposição. Por isso, os linguistas recomendam usar "em vez de" caso esteja na dúvida.
Por exemplo: Em vez de ir de ônibus para a escola, fui de bicicleta.